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09/05/2011 11:41
Fim da safra e ações do governo desaceleram queda do arroz

Preços ficam mais estáveis com o final da safra gaúcha, a ação de mecanismos do governo, prorrogação de financiamentos e expectativa de contratos de opção. E os analistas já começam a falar em recuperação

Depois de amargar uma queda vertiginosa de 12% em março, e mais 3,47% de desvalorização em abril, tudo indica que as cotações do arroz no Rio Grande do Sul chegaram muito próximo de seu limite inferior em maio. Nas duas últimas semanas tem sido verificada relativa estabilidade dos preços. Até esta quinta-feira, cinco de maio, o Indicador do Arroz Cepea - Bolsa Brasileira de Mercadorias/BVM&F (Rio Grande do Sul, 58 grãos inteiros) devalorizou mais 0,42%, registrando preço médio de R$ 19,14, pela saca de 50 quilos em casca, colocada na indústria gaúcha. Na média semanal, houve o decréscimo de apenas um centavo. De R$ 19,17 para R$ 19,16.

Este cenário foi alterado principalmente em razão da safra gaúcha estar praticamente concluída, segundo Irga e Emater/RS, a efetiva participação da cadeia produtiva gaúcha nos leilões de PEP, contratando 100% da oferta, o início pra valer de operações de AGFs (cerca de 10 mil toneladas contratadas em abril), vencendo a burocracia, e a expectativa de lançamento de contratos de opções públicas e privadas para mais 1 milhão de toneladas, notícia já antecipada pelo governo federal.

Associa-se a esse quadro a prorrogação do vencimento de dívidas e financiamentos vencidos e vincendos, que retiram a pressão de venda, a flexibilização do acesso a linhas de apoio aos produtores que acumularam perdas nas safras passadas, a negociação direta de produtores com fornecedores privados, e o bom volume de exportações. Estas, sim, alavancadas pelos leilões de PEP. A prática de valores abaixo da paridade de importação teve apenas uma vantagem, repôs a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional – principalmente matéria- prima de quebrados e parboilizado – retirada pela valorização da moeda nacional perante o dólar. Os leilões de PEP têm contribuído significativamente para a retirada de excedentes do mercado brasileiro.

Os baixos preços praticados ao longo de abril e maio ficam abaixo da paridade de importação do Uruguai. A maioria dos analistas brasileiros aposta numa recuperação gradual no curto prazo, em direção a uma paridade, em torno de R$ 21,00 para a saca de 50 quilos. Ou seja, se o piso são as cotações atuais, entre R$ 18,00 e R$ 19,50, o teto pode não ser superior a R$ 21,00 se levadas em conta apenas as paridades de importação do Mercosul. Daí a demanda do setor por ações de compensação para estas perdas por parte do governo federal (regras de restrição às importações ou compensação direta para exportação dos mesmos volumes importados).

Mas, isso dependerá da relação de oferta e demanda interna. Um eventual crescimento das vendas poderia enfraquecer uma possível recuperação gradual nos preços. Por enquanto, o mercado lê este cenário como referencial, pois os valores praticados seguem muito abaixo da paridade de importação e mais ainda dos preços mínimos, de R$ 25,80 por saca. No mercado internacional as cotações vêm se mantendo entre estável e decrescente, conforme análise que pode ser lida neste site. O anúncio da volta da Índia ao mercado internacional, como ofertante de arroz branco, ainda não gerou maiores impactos.

Na maioria das praças gaúchas, o arroz em casca segue com preços referenciais de R$ 18,50 a R$ 19,50, e média de R$ 19,00. Mas, com redução significativa no volume de negócios. Aparentemente tanto a indústria quanto a produção recolheram-se e aguardam os novos movimentos do mercado. As variedades nobres, no Litoral Norte gaúcho, agora com Indicação Geográfica, mantêm valores diferenciados com pagamento médio de R$ 23,00 por saca com 64% de inteiros. Em Santa Catarina é mantida a estabilidade dos preços médios, com cotações de R$ 20,00. Em Turvo, valores um pouco mais superiores em razão da demanda mais equilibrada, na faixa de R$ 22,00 em média, por saca de 50 quilos. No Mato Grosso a pressão de oferta reduziu um pouco mais as cotações nos últimos 15 dias, apesar da ótima qualidade de grãos desta safra. A média é de R$ 25,00 em Sinop e Sorriso.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 19,50 para a saca de arroz em casca no Rio Grande do Sul. E de R$ 42,00 para a saca de grão beneficiado, em 60 quilos. Os derivados mostraram uma baixa significativa nos últimos 15 dias, com o canjicão cotado a R$ 29,00 (60kg), a quirera a R$ 24,00 (60kg) e o farelo em estáveis R$ 220,00 a tonelada.

 

Fonte: Planeta Arroz

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